A universidade precisa fazer mais contra as violências de gênero

Foto: Maria Clara Soares

A frequência com que ouvimos casos sobre violências de gênero envolvendo a comunidade da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) tem sido quase diária. Não apenas aqui. Nas redes, sites jornalísticos, se repetem sem cessar histórias nos campi universitários, escolas, creches, do país e do mundo.

Ainda que, nos últimos anos, a universidade tenha criado importantes estruturas, como a Ouvidoria Feminina, e regulamentado normas e procedimentos nos casos de violências contra as mulheres e sobre o uso do nome social, a realidade cotidiana se impõe às medidas – necessárias, mas insuficientes.

Em primeiro lugar, pouco falam sobre inúmeros grupos minorizados, especialmente a comunidade LGBTQIA+. Além disso, focam nas dimensões jurídica e institucional de um problema que precisa, urgentemente, ser também abordado pelas perspectivas subjetiva e educacional – ainda mais em uma universidade.

Os tempos da justiça, do trauma e do testemunho muitas vezes divergem em casos como esses, e as instituições devem construir formas de acolhimento para além da burocracia e das exigências de punição (que não podem, contudo, ser desprezadas). Isso exige investimento e disposição para encarar um problema crônico. Também é imprescindível assumir um papel educador que extrapole currículos, mas mire em uma formação transversal e coletiva de toda a comunidade acadêmica.

Finalmente, é preciso que a gestão venha a público falar sobre o problema com as pessoas da universidade. O silêncio institucional é doloroso. Soa como descaso ou medo, gera outras camadas de indignação e desalento. Estudantes, servidores, servidoras se sentem desamparados por não poderem estudar, trabalhar, circular pelos espaços sem medo, em segurança. Mas as vítimas desejam mais: querem ser reconhecidas, ouvidas, acolhidas.

Por Karina Gomes Barbosa

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