Por uma educação básica mais inclusiva: projeto de lei deseja implantar aulas sobre Direitos Humanos e combate a todos os tipos de discriminação 

Foto: Lia Junqueira

Acreditamos que a educação é um agente de mudança fundamental na vida de todas as pessoas, por isso, o debate de temas como racismo, violência de gênero e LGBTfobia são componentes indispensáveis para jovens e adolescentes. A partir desse pensamento, o deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR), apresentou um Projeto de Lei que pretende incluir aulas para ampliar as informações dos temas na Educação Básica. 

Com aulas voltadas para o Ensino Médio, quando entende-se que as pessoas estudantes estão mais maduras para compreender os assuntos, alguns complexos, a proposta é que estudantes de universidades públicas e privadas comandem esse momento, que será contabilizado como atividade complementar para quem está na graduação. Dessa forma, é vantajoso para quem ensina e para quem aprende, que ver e ter contato com outros pontos de vista. 

Por meio de atividades como essa, podemos ter trocas capazes de mudar a realidade de estudantes, pais e professores, pois, ao trazer novas informações e referências sobre os temas, conseguimos compreender de maneira mais aprofundada. Como bell hooks afirma em “Ensinando Pensamento Crítico: sabedoria prática”, devemos constantemente explorar nossa capacidade de aprendizado com novas perspectivas, pois, se um estudante branco, hétero e cis entender um novo olhar sobre o racismo, por exemplo, isso pode transformá-lo por completo. 

Outro fator importante no aprendizado é a aproximação e identificação, ainda mais com pessoas jovens, que muitas vezes enxergam-se incompreendidas por professores mais velhos. Com esse projeto, eles teriam a possibilidade de aprender com pessoas de idade próxima e com experiências parecidas, o que também auxilia no processo de aprendizagem. 

Além disso, no Ensinamento 3: Pedagogia Engajada, bell hooks entende que o aprendizado de temas sensíveis – ou qualquer outro tipo de tema – é melhor elaborado quando temos um público engajado e interessado em aprender. Para isso, a construção de uma comunidade dentro da sala de aula, em que os alunos se conheçam e reconheçam também quem está repassando as informações, é fundamental na participação conjunta de todas as pessoas. 

Enxergar um(a) estudante enquanto pensador ativo e capaz de colaborar com o aprendizado de todas as pessoas ao redor faz toda a diferença quando queremos debater e prosseguir com diálogos. É importante que todos os atores na educação estejam integralmente envolvidos e dispostos a ampliar as conversas e sair de suas zonas de conforto, o que não é fácil, mas, necessário em diversas situações. 

Dessa maneira, instigar jovens e adolescentes a conhecerem e irem mais a fundo sobre temas tão importantes como Direitos Humanos, racismo, violência de gênero e LGBTfobia dá para eles outra perspectiva e entendimento cidadão, possibilitando o desenvolvimento de mais consciência sobre nosso cotidiano e respeito a grupos e sujeitos mais vulneráveis na sociedade.

A importância de falar abertamente sobre todas as coisas nos dá novas chances e olhares, para que mudanças possam ser concretizadas e erros passados sejam esclarecidos. 

Por Lia Junqueira. 

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