Uma pauta para gênero e sexualidade na UFOP

Em menos de um mês, a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) irá escolher uma nova gestão para os próximos quatro anos na consulta paritária que ocorre entre 2 e 3 de outubro. Entre as muitas questões urgentes que aflige e preocupam a comunidade universitária, o Ariadnes se debruça sobre o que considera ser uma pauta básica e fundamental de compromisso para a UFOP avançar nas questões relativas a gênero e sexualidade.

Compreendemos que, apesar de a universidade ser pensada e desejada como espaço de educação para a liberdade, ela é, muitas vezes, para muitas pessoas, local de exclusão, preconceito, violência e desigualdade. E os corpos sobre quem recaem as expressões de poder e ódio são corpos femininos, não-brancos, de extratos socioeconômicos inferiores, pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+, com deficiência, indígenas. São, enfim, corpos com marcadores identitários da diferença em relação à imagem ideal do acadêmico: um homem, branco, de elite, funcional, cis, heteronormativo.

Acreditamos que não existe transformação possível que leve a universidade ao desejo utópico que a move que não leve em conta os atravessamentos de gênero e sexualidade. Acreditamos que a UFOP não irá avançar enquanto não enfrentar as violências que ocorrem, as desigualdades que se perpetuam, as barreiras erguidas e tradições ditas imutáveis.

Por isso, para nós do Ariadnes, é imprescindível que a próxima reitoria se comprometa, no mínimo, com as seguintes pautas: 

  • Enfrentar violências de gênero no ambiente republicano;
  • Instaurar cotas e políticas de permanência para pessoas trans na graduação, pós-graduação e processos seletivos;
  • Ampliar a oferta de bolsas para sujeitos vulnerabilizados na graduação e na pós-graduação;
  • Tornar gratuita a emissão de novas vias de diplomas com nome social para pessoas trans e divulgar a possibilidade de troca gratuita dos diplomas;
  • Ampliar a verba de programas voltados a gênero e sexualidade na UFOP, como PIDIC, Ciclo Saudável, Ouvidoria Feminina;
  • Fortalecer políticas de permanência e desenvolvimento de mães na universidade, sejam docentes, estudantes, técnicas ou terceirizadas;
  • Criar espaços de apoio para a presença de crianças na universidade, como creches, salas lúdicas, espaços de aleitamento, trocadores;
  • Incentivar e financiar colônias de férias oferecidas na e pela universidade para a comunidade acadêmica, sobretudo em períodos de não coincidência entre o calendário escolar da Educação Básica e o da UFOP;
  • Modificar o regimento da UFOP a fim de tornar claras as violências de gênero e sanções específicas;
  • Instituir formação transversal em diversidade, gênero e sexualidade na graduação da UFOP;
  • Criar formações obrigatórias em gênero e sexualidade para recém-empossados e empossadas, no âmbito do programa Sala Aberta;
  • Incentivar paridade de gênero e presença de pessoas LGBTQIAPN+ na gestão superior da UFOP;
  • Oferecer moradia ou espaços de acolhimento para pessoas em conflito familiar em função do gênero ou sexualidade;
  • Ampliar o atendimento em saúde mental nos campi da UFOP;
  • Fomentar ações, eventos e debates sobre gênero e sexualidade, em interseção com violência, geração, raça, classe e deficiência, entre outros;
  • Produzir e divulgar periodicamente dados e indicadores internos sobre questões relativas a gênero e sexualidade, incluindo processos administrativos disciplinares e punições;
  • Incentivar a institucionalização, nos Projetos Pedagógicos de cursos de graduação e pós-graduação, de disciplinas, linhas de pesquisa e áreas de concentração em gênero e sexualidade.

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