“É uma realidade que precisamos enfrentar com muita coragem”: Seminário Andifes  discute gênero no ensino superior

Evento abordou desafios, políticas públicas e ações institucionais na promoção da equidade

Na imagem, palestrantes e integrantes da Andifes se posicionam na parte frontal do palco de apresentação. Elas utilizam roupas diversas e coloridas.
Imagem: TV UFOP/Andifes

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) sediou, nessa quarta-feira (22), o seminário “Políticas Universitárias e de Gestão para Promoção da Equidade de Gênero nas Universidades Federais”, organizado pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). A ocasião contou com a participação de lideranças acadêmicas e representantes dos âmbitos político, jurídico e social, de diferentes níveis, regional, estadual e nacional, para discutir ações e estratégias na promoção da equidade de gênero no ambiente universitário.

Na mesa de abertura, Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto, destacou a importância do protagonismo feminino em momentos históricos e culturais da cidade, mencionando a inclusão de Hipólita Jacinta em um panteão majoritariamente masculino e a relevância de Bárbara Heliodora no movimento Inconfidente. A partir disso, o representante do executivo reconheceu a necessidade de seguir ampliando as ações de equidade, sobretudo no espaço acadêmico.

Em seguida, Cláudia Aparecida Marliére, reitora da UFOP, ressaltou a persistência de violências estruturais nas universidades e os esforços institucionais para combatê-las, citando projetos da instituição, como o Programa de Inclusão e Diversidade (PIDIC), o Ciclo Saudável (distribuição de absorventes), o Projeto MaNU (para mães universitárias), a Ouvidoria Feminina, entre outros.  Cabe destacar, que dentro do PIDC, o projeto Ariadnes atua como uma iniciativa fundamental para promover o exercício disciplinado da crítica de mídia, como elemento da educação contribuindo para a formação de uma consciência crítica e reflexiva em relação aos desafios contemporâneos de gênero. Para ela, essas Políticas Universitárias são fundamentais, pois o ambiente acadêmico é ainda muito hostil com as mulheres e gêneros dissidentes. “Essa violência se apresenta de muitas formas, sempre em uma relação de poder. É uma realidade que precisamos enfrentar com coragem”, afirmou.

Também presente, a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia destacou o papel transformador da educação na sociedade brasileira. Entre relatos pessoais e profissionais, ela afirmou que todas essas temáticas sociais e educacionais estão atreladas à democracia e vice-versa. “Não é possível falar de democracia sem falar de educação. Valores como igualdade e liberdade só se alcançam pelo ensino”, disse. Para a ministra, a Universidade precisa cada vez mais ampliar seu papel além dos muros institucionais, atuando em ensino, pesquisa e extensão de forma mais integrada à sociedade.

Com uma participação remota, a ministra de Direitos Humanos, Maria Evaristo dos Santos, reforçou o impacto das desigualdades no acesso à educação e apresentou dados alarmantes sobre violência contra mulheres no Brasil. Nas palavras dela, “embora a legislação brasileira tenha avançado, a realidade ainda está marcada por um contexto de desigualdade e discriminação que precisamos superar”.

Por fim, Andrea Latgé, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), trouxe à tona a persistência da desigualdade de gênero não apenas na academia, como também no mercado de trabalho. Algo que se confirma pelos dados que revelam a sub-representação de mulheres nas ciências exatas e em cargos de liderança. De acordo com ela, isso evidencia a necessidade de políticas públicas específicas para enfrentar o chamado “efeito tesoura” na carreira acadêmica de muitas brasileiras.

Como exposto, os debates evidenciaram a urgência de ações afirmativas, a importância do compromisso institucional com a equidade de gênero e a necessidade de um esforço conjunto entre governos, universidades e sociedade civil para construir um ambiente acadêmico mais inclusivo e justo.

Por Giovanna Cabral e Maria Luísa Sousa

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