Um homem bonito sempre vai me salvar quando eu for possuída?

O Exorcista é um filme de terror lançado em 1973 que conta a história da possessão de Regan (Linda Blair), uma doce menina de 12 anos. Dirigido por William Friedkin, o clássico ganhou uma versão estendida em 2000, a narrativa nos leva para um lugar conhecido, a salvação de um corpo feminino por um homem másculo. O longa é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por William Peter Blatty em 1971 e foi inspirado em caso real, o exorcismo de Roland Doe. A mudança do gênero do personagem principal acontece desde o livro – é claro, porque colocariam um garoto para sofrer se o sofrimento feminino traz mais comoção?

Imagem retirada do Blog Hiperion

O Exorcista é um filme de terror lançado em 1973 que conta a história da possessão de Regan (Linda Blair), uma doce menina de 12 anos. Dirigido por William Friedkin, o clássico ganhou uma versão estendida em 2000, a narrativa nos leva para um lugar conhecido, a salvação de um corpo feminino por um homem másculo. O longa é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por William Peter Blatty em 1971 e foi inspirado em caso real, o exorcismo de Roland Doe. A mudança do gênero do personagem principal acontece desde o livro – é claro, porque colocariam um garoto para sofrer se o sofrimento feminino traz mais comoção?

“Essa porca é minha!”

Pazuzu, o demônio que possui a menina, é um espírito ligado ao sexual e ao formato fálico. Tanto no Iraque quanto em Georgetown, ele é representado com um enorme pênis. Os efeitos especiais do filme por si só já são grotescos, mas Regan se transforma com a possessão, indo de uma garota angelical, de cabelos loiros impecáveis e bochechas rosadas, semelhante à representação dos anjos, para um ser feio, com cara de velho e mal comportado.

Além disso, a cena do crucifixo em que o demônio machuca o corpo da garota, violando-a, enquanto grita que a porca é dele marca o quanto ele é territorial. Isso sem contar que ele afasta os homens da casa e passa a ser o homem que faltava naquele espaço.

Para que a filha seja salva, mesmo que Chris seja ateia, ela recorre ao exorcismo, e precisa que um padre, homem a salve. A tese “Irmã, porque há sangue saindo da sua cabeça? Discussões sobre a loucura feminina nos filmes O que terá acontecido a Baby Jane, o Bebe de Rosemary e O Exorcista” ainda diz da mulher como precursora do mal da sociedade, como acontece com Lilith e Eva. No caso de Regan o mal, em formato de demônio, domina seu corpo. Sempre utilizando da religiosidade como a única forma de salvação. Nesse filme, o mantra Deus, Pátria e Família é um dos guias do enredo. 

Essa tendência de volta ao tradicional – e do terror que a ruptura representa – pode vir a ser um resgate das tradições do The American Way of Life, após os anos 60 com a ascensão dos hippies e de uma quebra do conhecimento dos Estados Unidos como um local da família ideal.

Por Ana Beatriz Justino

Deixe um comentário