
No dia em que celebramos a conquista do voto feminino no Brasil, relembramos a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que aconteceu em 25 de novembro de 2025, em Brasília. No mesmo lugar onde aconteceu a primeira Marcha, 10 anos atrás, em 18 de novembro de 2015, mais de 100 mil mulheres marcharam contra o racismo, a violência e pelo bem viver.
Em 2025, as ruas da capital foram tomadas por milhares de pessoas, não só mulheres negras – mas elas eram maioria, de diversas idades, lugares, orientações sexuais e marchando por múltiplas causas. Apesar da previsão do tempo marcar chuva, o dia foi ensolarado e a programação começou com a marcha, de manhã, e terminou com shows gratuitos de artistas negras no Museu Nacional da República.
A marcha teve a participação da intelectual Sueli Carneiro, das deputadas Benedita da Silva, Erika Hilton e Célia Xakriabá e da ministra Anielle Franco, e de mais 300 mil pessoas, segundo estimativa da organização. Entre as bandeiras levantadas, destacava-se uma exigência: a nomeação de uma ministra negra no Supremo Tribunal Federal (STF), um passo para que a política e o Judiciário brasileiros se tornem espaços mais inclusivos e que representem a nossa sociedade, na qual mulheres negras são o maior grupo populacional.

Nesse cenário, é importante lembrar de Marielle Franco. Seu assassinato, em 2018, tornou-se símbolo da violência política de gênero e raça no Brasil. Na 2º Marcha, Marielle se fez presente como um legado de força e luta.
Embora fosse a Marcha das Mulheres Negras, a exigência por Reparação e Bem Viver foi além dessa causa, sendo uma luta de toda a sociedade. As pautas incluíam o fim da violência policial e da brutalidade do Estado nas comunidades, o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher e a conquista de direitos para a população LGBTQIA+, crianças, pessoas com deficiência, indígenas e imigrantes.
Essa mobilização materializa o que Angela Davis afirmou em 2017: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. A frase conhecida da escritora, professora, filósofa e ativista socialista estadunidense foi dita por ela em uma conferência na UFBA em 2017, durante uma de suas visitas ao Brasil. A ativista provocou a reflexão de que, pelo fato de as mulheres negras estarem na base da estrutura social capitalista, ao se movimentarem, o que está acima se transforma.
Na marcha havia poucos homens, e as mulheres uniram suas vozes para reivindicar direitos para o nosso país, de forma diversa. Por isso, é importante comemorar e relembrar a importância da conquista do voto feminino, mas também focar no futuro: garantir e aumentar a presença de mulheres em cargos de destaque na política, especialmente de mulheres negras. Essa representatividade não significa que elas sempre vão ter o mesmo posicionamento, pois as mulheres são diversas e plurais. O centro da questão é que precisamos ocupar esses espaços que, historicamente, foram destinados a homens brancos. Pedir essa representatividade não é buscar uma mulher “perfeita”, mas garantir que a estrutura deixe de ser um lugar de exclusão.
Confira alguns registros da Marcha das Mulheres Negras 2025:


























Todas as imagens são de Ana Luíza Rodrigues
Por Ana Luíza Rodrigues
