“Garotas mortas” como essência da cultura do ódio que nos assassina

Com título cru e impactante, adentramos na leitura de um tema tão difícil: o feminicídio, que, em suma, é o assassinato de mulheres por razaão de seu gênero. O livro em formato de jornalismo literário relata três casos de feminicídio – sem solução – de jovens: Andrea Danne, de 19 anos; Maria Luísa Quevedo, de 15; e Sarita Mundín, de 20. Elas foram mortas em … Continuar lendo “Garotas mortas” como essência da cultura do ódio que nos assassina

Violência e maldição na linguagem de “Pssica”

*Aviso de gatilho: o texto trata de violência sexual e estupro  Pensar numa realidade de violência sexual que atinge meninas e mulheres é indigesto, mas, infelizmente muito próximo do nosso cotidiano. Elas acontecem na rua, em ambientes educacionais, na política, e (principalmente) dentro de casa. De acordo com dados do estudo Sem deixar ninguém para trás: gravidez, maternidade e violência sexual na adolescência, a maioria … Continuar lendo Violência e maldição na linguagem de “Pssica”

“Caso Eloá: Refém ao Vivo” e a repetição da espetacularização da violência 

Em 2008, ano em que o Brasil parou para acompanhar o sequestro e feminicídio de Eloá Pimentel, de 15 anos, a violência de gênero crescia. Naquele ano, a Central de Atendimento à Mulher registrou um aumento de 22,3% nos relatos de violência em comparação com o ano anterior, totalizando 24.523 chamados. Quase a totalidade das agressões era classificada como violência doméstica (94,1%), e em mais … Continuar lendo “Caso Eloá: Refém ao Vivo” e a repetição da espetacularização da violência 

Violência como rotina 

Era 2010, quando as imagens de pessoas armadas correndo por uma rua de chão batido em meio à floresta foram exibidas repetidas vezes no RJTV – jornal televisivo diário do Rio de Janeiro, eu tinha sete anos e lembro de crescer amedrontada pelo fantasma do crime que passava na televisão.  Nascida na capital e moradora da baixada fluminense, sempre frequentei a cidade. Me lembro da … Continuar lendo Violência como rotina 

Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song

Quando somos jovens podemos ter entendimentos diversos do que é o amor. Será que é aquela sensação de borbulhar o estômago? Ou aquela de nos deixar tontas; de paixão, de fúria ou de quase querer engolir o outro para si? Ele pode ser ainda a impressão do outro em nosso corpo, que transborda, mergulha. No final das contas, as sensações que o amor desperta são … Continuar lendo Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song

Todo mundo sabe, ninguém fala

Eu estava na biblioteca, era dia de organização nova das seções. Quando fui apontar para um livro na prateleira, senti alguém chegar por trás, me encoxando. Fiquei paralisada. Saí.  Tudo aconteceu muito rápido, sem que houvesse tempo para entender ou reagir. Tinham pessoas por perto, mas todos ficaram confusos com aquele movimento estranho. Numa fração de segundos ocorreu um toque – indesejado, sem consentimento – … Continuar lendo Todo mundo sabe, ninguém fala

Psicose: entre a passividade das mulheres e dos pássaros 

A tarefa de falar e refletir por uma perspectiva gendrada sobre um dos filmes de horror mais clássicos da história do cinema vai muito além da análise fílmica. É preciso considerar os arredores da produção, a época e quais significados são criados e evocados a partir dessas produções. Além disso, a obra foi considerada “o melhor filme de todos os tempos” pela revista Variety. Não … Continuar lendo Psicose: entre a passividade das mulheres e dos pássaros 

“Corações Jovens” e as novas maneiras de explorar o amor 

“Você já se apaixonou? Como é a sensação? Ah, o primeiro amor…”  Esses são os questionamentos e conversas que iniciam Corações Jovens (Young Hearts no original), produção belga-holandesa de 2024 e estreia de Anthony Schatteman como diretor. O filme fala de amor, de família e, principalmente, de novas descobertas e possibilidades de experimentar esses sentimentos e a forma de lidar com eles.  A história se … Continuar lendo “Corações Jovens” e as novas maneiras de explorar o amor 

Quem pode falar na confraria dos homens? 

Na última segunda (09), tivemos uma experiência esclarecedora sobre o funcionamento das repúblicas tradicionais de Ouro Preto e muito do que essa cultura envolve. A audiência pública do Ministério Público Federal que era, inicialmente, sobre as repúblicas federais no contexto da política assistencial de moradia estudantil da UFOP, se transformou em uma reunião de homens, que foram defender suas experiências maravilhosas naquelas casas centenárias e … Continuar lendo Quem pode falar na confraria dos homens? 

Onda Nova: desejo e liberdade sexual como resistência em tempos de repressão 

Em 1983 era exibido pela primeira vez, na 7ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa brasileiro Onda Nova, que foi rapidamente censurado pela ditadura militar por “contrariar a moral e os bons costumes”. Agora em 2025, mais de 40 anos depois, o filme volta aos cinemas e – ainda assim – desafia o que é conhecido como “moral e bons costumes”. Em … Continuar lendo Onda Nova: desejo e liberdade sexual como resistência em tempos de repressão