Elegia de um crime: A reconstrução dura de uma vida cruel
Isabel Burlan da Silva, nascida em 28 de agosto de 1958 no Rio Grande do Sul, era mãe de cinco filhos, irmã, filha, promotora, cozinheira e mais tarde faxineira. Sempre sonhou em ter uma família, mesmo vivenciando períodos conturbados na infância e adolescência. Cresceu cercada pela simplicidade e com um ciclo pequeno de familiares e amigos. Ouvia constantemente discursos defensores da família tradicional e da … Continuar lendo Elegia de um crime: A reconstrução dura de uma vida cruel
“Caso Eloá: Refém ao Vivo” e a repetição da espetacularização da violência
Em 2008, ano em que o Brasil parou para acompanhar o sequestro e feminicídio de Eloá Pimentel, de 15 anos, a violência de gênero crescia. Naquele ano, a Central de Atendimento à Mulher registrou um aumento de 22,3% nos relatos de violência em comparação com o ano anterior, totalizando 24.523 chamados. Quase a totalidade das agressões era classificada como violência doméstica (94,1%), e em mais … Continuar lendo “Caso Eloá: Refém ao Vivo” e a repetição da espetacularização da violência
Em busca do toque e da dor na Berlim de Wenders
O cinema, em sua essência, sempre buscou conciliar o visível e o invisível, o concreto e o etéreo. Em Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987), Wim Wenders não apenas concilia, mas estabelece um fascinante diálogo dialético entre esses polos, utilizando a melancolia de uma Berlim pré-queda do Muro, (o que não se sabia à época da criação do filme), como palco para um … Continuar lendo Em busca do toque e da dor na Berlim de Wenders
Um homem bonito sempre vai me salvar quando eu for possuída?
O Exorcista é um filme de terror lançado em 1973 que conta a história da possessão de Regan (Linda Blair), uma doce menina de 12 anos. Dirigido por William Friedkin, o clássico ganhou uma versão estendida em 2000, a narrativa nos leva para um lugar conhecido, a salvação de um corpo feminino por um homem másculo. O longa é uma adaptação do livro de mesmo … Continuar lendo Um homem bonito sempre vai me salvar quando eu for possuída?
Quem pode decidir?
No dia 17 de outubro de 2025, em sua última sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luís Roberto Barroso votou a favor da descriminalização do aborto até 12 semanas. Em seu voto, defendeu que o aborto é questão de saúde pública, sendo essencial garantir que o procedimento seja realizado de forma segura. Afirmou que “a criminalização penaliza, sobretudo, as meninas e mulheres pobres, … Continuar lendo Quem pode decidir?
Qual o seu lugar de fala?
É provável que você já tenha presenciado alguém se eximir de opinar sobre um tema, justificando não ser o seu “lugar de fala”. Essa situação é comum, pois quando escutamos “lugar de fala” já vem aquele pensamento de que é algo reservado a um grupo específico de pessoas, de assuntos que se podem debater e outros não. Ainda nos vêm as famosas “debandadas” de quem … Continuar lendo Qual o seu lugar de fala?
Violência como rotina
Era 2010, quando as imagens de pessoas armadas correndo por uma rua de chão batido em meio à floresta foram exibidas repetidas vezes no RJTV – jornal televisivo diário do Rio de Janeiro, eu tinha sete anos e lembro de crescer amedrontada pelo fantasma do crime que passava na televisão. Nascida na capital e moradora da baixada fluminense, sempre frequentei a cidade. Me lembro da … Continuar lendo Violência como rotina
Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song
Quando somos jovens podemos ter entendimentos diversos do que é o amor. Será que é aquela sensação de borbulhar o estômago? Ou aquela de nos deixar tontas; de paixão, de fúria ou de quase querer engolir o outro para si? Ele pode ser ainda a impressão do outro em nosso corpo, que transborda, mergulha. No final das contas, as sensações que o amor desperta são … Continuar lendo Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song
Vale tudo?
Como novela e mineração revelam a lógica implacável do capital Escrita originalmente por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Vale Tudo teve sua primeira estreia na TV Globo em 16 de maio de 1988. Conhecida por surgir em um contexto transformador do país, a telenovela acompanhou parte do processo de redemocratização após o golpe militar, que instaurou uma ditadura entre 1964 e 1985, e … Continuar lendo Vale tudo?
“Jem e as hologramas” andaram para as “Guerreiras do K-Pop” correrem
Ia o final da década de 1980 e eu, como várias garotas, assistíamos a Jem e as Hologramas na TV aberta. Para mim, sempre foi um desenho revolucionário, porque não havia lutas e músculos masculinos em display. Tudo era embalado por música pop e as personagens femininas trocavam de roupa (e que figurino! – descobri, adulta, que os looks eram inspirados na alta costura da … Continuar lendo “Jem e as hologramas” andaram para as “Guerreiras do K-Pop” correrem
