Violência como rotina 

Era 2010, quando as imagens de pessoas armadas correndo por uma rua de chão batido em meio à floresta foram exibidas repetidas vezes no RJTV – jornal televisivo diário do Rio de Janeiro, eu tinha sete anos e lembro de crescer amedrontada pelo fantasma do crime que passava na televisão.  Nascida na capital e moradora da baixada fluminense, sempre frequentei a cidade. Me lembro da … Continuar lendo Violência como rotina 

Um grupo de aproximadamente 15 a 20 pessoas, majoritariamente mulheres, posa em frente ao Congresso Nacional do Brasil sob um céu nublado. Elas seguram uma grande bandeira trans horizontalmente na altura do peito e dos braços estendidos, enquanto outra parte da bandeira se estende no chão à frente delas, com símbolos que parecem ser cruzes ou pássaros pretos sobre as faixas rosa, azul e branca. O prédio do Congresso, com suas duas torres e a cúpula do Senado, é visível ao fundo.

A retórica do ódio como projeto político

O caso Salabert vs. Ferreira e os limites da liberdade de expressão no Brasil A recente deliberação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a condenação do deputado federal Nikolas Ferreira por danos morais contra a deputada Duda Salabert, no dia tal, suscita uma análise aprofundada sobre a relação entre identidade de gênero, discurso de ódio e os contornos da liberdade de expressão no … Continuar lendo A retórica do ódio como projeto político

A lâmina e o corpo: performatividade de gênero em samurai de olhos azuis

Mulheres contra o patriarcado no melhor estilo Kill Bill! Em Samurai de Olhos Azuis (Blue Eye Samurai), lançada em 2023 pela Netflix, vemos Mizu, protagonista da série, entre xoguns, samurais e batalhas sangrentas de katanas no Japão feudal, do século XVII, extremamente violento, machista e racista. A obra é de autoria de Michael Green (Logan, Blade Runner 2049) e Amber Noizumi. Dentro de um contexto … Continuar lendo A lâmina e o corpo: performatividade de gênero em samurai de olhos azuis

Quem tem o direito de “ser menina”? 

Quando pensamos nas fases da vida de uma pessoa que foi designada ao nascer com o gênero feminino e se identifica com ele, o processo da adolescência/pré-adolescência está marcado como um momento repleto de descobertas e processos de amadurecimento. Desde a primeira menstruação até as relações românticas que costumam se iniciar neste período, com o desenvolvimento e expressão da sexualidade, é preciso ter acesso a … Continuar lendo Quem tem o direito de “ser menina”? 

A feminilidade no horror slasher

No cinema, os filmes são classificados por categorias narrativas, os gêneros cinematográficos, como o romance, a comédia, o drama, o horror e vários outros. Dentro desses existem os subgêneros. No horror, há os filmes sobrenaturais, que geralmente retratam possessões ou a presença de forças além da compreensão humana, com clássicos como O Exorcista (1973) e Invocação do Mal (2013). Também existem os filmes de found … Continuar lendo A feminilidade no horror slasher

Por uma cobertura ética de transfeminicídios e outras violências contra a população T

Diante da ausência de formação específica nos cursos de Jornalismo, a oficina do projeto Ariadnes busca capacitar estudantes e profissionais para uma cobertura mais ética e sensível de transfeminicídios e outras violências contra a população trans. Nos dias 30 de janeiro e 6 de fevereiro, aconteceram, no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), duas oficinas de formação sobre cobertura jornalística de transfeminicídios e outras violências … Continuar lendo Por uma cobertura ética de transfeminicídios e outras violências contra a população T

Nem todos os homens,  mas sempre um homem

Rápida recapitulação de Setembro de 2024. Homem é preso após atropelar ex quatro vezes. Atleta olímpica morre após ter corpo incendiado pelo namorado. Homem acusado de recrutar estranhos para estuprar sua mulher. Revenge Porn no Telegram: o canal português de misoginia assistido por 70 mil homens. Homem atropela duas vezes ex-companheira, filha e ex-sogra no DF. Coreia do Sul investiga Telegram por divulgação de deepfakes … Continuar lendo Nem todos os homens,  mas sempre um homem

A dor de ser a única – qual o lugar de mulheres negras nos ambientes universitários? 

“E eu estou rodeada porEspaços brancos,Onde dificilmente eu posso adentrar e permanecer.Então, por que eu escrevo?Escrevo, quase como na obrigaçãoPara encontrar a mim mesmaEnquanto eu escrevo” Enquanto eu escrevo, Grada Kilomba Tive contato com esse texto da Grada Kilomba em uma aula. Estava passando por situações difíceis e ele ficou em minha cabeça por um tempo, me fazendo pensar em como é difícil ocupar espaços … Continuar lendo A dor de ser a única – qual o lugar de mulheres negras nos ambientes universitários? 

Falta calcinha na ilha de Marajó?

No dia 21 de abril, a Folha de São Paulo deu continuidade a um dos debates mais intragáveis do Brasil, a exploração sexual de crianças na Ilha de Marajó (PA). Durante dez dias, a reportagem acompanhou a realidade do Marajó, nas áreas urbanas de Breves e Melgaço, assim como em comunidades e casas existentes no curso de quatro rios: Aramã, Mapuá, Mujirum e Tajapuru. Com … Continuar lendo Falta calcinha na ilha de Marajó?

Protagonismo nas narrativas de violência de gênero: a importância da voz das vítimas na mídia

No documentário A vítima Invisível, da Netflix, dirigido por Juliana Antunes e lançado em 26 de setembro de 2024, a narrativa nos conta sobre a vida de Eliza Samudio, para além de sua morte, que aconteceu em junho de 2010. É uma perspectiva diferente da tradicional. Numa pesquisa para escrever um artigo sobre o feminicídio de Eliza, foi fácil encontrar detalhes da vida e carreira … Continuar lendo Protagonismo nas narrativas de violência de gênero: a importância da voz das vítimas na mídia