Um lugar de escuta e acolhimento em meio a tantas violências na universidade

Nesta última quinta-feira (17), aconteceu no auditório do ICSA, das 17h às 19h, a roda de conversa “Assédio sexual e moral – como isso te afeta?”. O evento contou com a integrante da Andorinhas – a Rede de Mulheres da UFOP – Alice Costa; com a participante da Ouvidoria Feminina da UFOP, Flávia Pereira; com a coordenadora do Ariadnes, Karina Gomes Barbosa; com a analista de políticas públicas Patrícia Souza; e com a monitora de atendimento Rafaella Biagi.
A palestra foi pensada pelo InterPET e teve como organizadores o PET ICSA em conjunto com o PET Pedagogia. Nela, foram abordados assuntos relacionados ao assédio no ambiente universitário, e à importância de um ambiente acolhedor e receptivo – onde seja possível realizar denúncias – como a Ouvidoria Feminina.
No evento, as mulheres explicam conceitos de violências que, muitas vezes, são confundidos, como assédio e importunação sexual: o primeiro refere-se a quando o assediador tira vantagem de sua posição em relações de trabalho para constranger a vítima e obter alguma vantagem sexual. Já o segundo diz respeito à prática do ato libidinoso contra a vontade do outro. Isto é, atos como apalpar, desnudar, masturbar-se em público, entre outros, caracterizam-se como crimes de importunação.
Há também o assédio moral, que se enquadra como sendo o comportamento abusivo com a vítima, por meio de palavras, gestos e atos que podem trazer danos à dignidade e à integridade física ou psíquica dela. Todas essas violências são muito frequentes no ambiente universitário e, por isso, a Ouvidoria torna-se um espaço essencial de acolhimento e apoio às vítimas.
A professora Flávia Pereira conta que, em 2019, a Ouvidoria teve “apenas” 9 denúncias durante o ano todo. Mas que, atualmente, contabilizando até agosto de 2023, o órgão já tinha recebido 69 denúncias de assédio na universidade. Situações que, infelizmente, são responsáveis por muitas evasões acadêmicas, abandonos de carreira, problemas psicológicos e suicídios.
A analista de políticas públicas Patrícia Souza explica sobre alguns dos transtornos psicológicos que vítimas de abusos na universidade podem enfrentar: estão vulneráveis a ficarem abaladas emocionalmente, terem problemas de autoestima física e intelectual e a sentirem muita angústia, especialmente diante da situação de, muitas vezes, terem que encontrar o abusador – geralmente em posição superior na hierarquia acadêmica – na faculdade.
Nos momentos finais, a roda de conversa foi aberta para tirar as dúvidas das alunas, que envolviam questionamentos sobre como realizar uma denúncia e sobre a importância de ter um ambiente de escuta quando se sofre uma violência. Foi um debate muito importante e informativo, visto que muitas estudantes não conheciam esse projeto aliado à luta das mulheres, mas, agora, sabem que têm com quem contar diante de uma situação de abuso.
Se você for uma vítima de violência de gênero na UFOP e deseja ter um espaço seguro para conversar, entre em contato com a Ouvidoria Feminina! Estamos todas juntas contra o machismo na universidade (e em qualquer lugar).
Instagram: ouvidoriafeminina
Contato: (31) 988667678
E-mail: ouv.femininaufop@gmail.com
Por Maria Clara Soares
