Até que ponto estamos seguras no ambiente republicano?

Fui a uma festa com a intenção de me divertir, beber e dançar com minhas amigas. Chegando lá, logo entendi que o ambiente não era seguro e tinha que fazer tudo para me proteger dos assédios, que, nesse dia, eram muitos. 

Meu grupo tentou fazer uma rodinha para se proteger, mas nem assim deixamos de ser importunadas. Tinha homens para todos os cantos – mas isso não é problema, óbvio –, sem camisa, bêbados e drogados. Eles vinham atrás da gente, chegavam perto e tentavam encostar no meu corpo. 

Quando íamos ao banheiro, ou pegar algo para beber, não podíamos ir sozinhas. Nem pensar em ir sozinhas, pois éramos seguidas. Chegou a um ponto tão insuportável que comecei a subir no murinho atrás de mim para me proteger das investidas desse grupo de homens. 

Eu estava, literalmente, subindo nas paredes dessa casa para não ser assediada. 

Nesse dia, eu e meu grupo de amigas não conseguimos curtir nada. Mesmo com o desconforto visível que muitas mulheres nesse ambiente pareciam e comentavam estar, nada foi feito. Os assediadores continuaram ali e, além disso, ainda eram bem quistos pelos organizadores da festa, que não se importaram com os crimes em plena vista. 

Fui embora bem cedo, não me diverti nem um pouco nessa festa. Na verdade, foi um dia terrível, que não quero nem lembrar. Festa ali eu não vou mais. 

Relato anônimo 

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