Quando uma menina é assassinada, o que a imprensa escolhe contar?
Essa pesquisa começou a partir de um questionamento da professora Karina Gomes Barbosa (UFOP), que já investigava temas relacionados a gênero, infância e violência, com foco principalmente nas coberturas jornalísticas de crimes contra mulheres. Em um dado momento, Karina deslocou seu olhar para a cobertura de infantofeminicídios, refletindo sobre como a mídia aborda, ou silencia, esse tipo de violência. Dessa inquietação resultou o artigo “De … Continuar lendo Quando uma menina é assassinada, o que a imprensa escolhe contar?
Eu cuido, tu cuidas e ela cuida
Eu cuidei da minha mãe e do meu pai por 10 anos. Nasci em 1963, numa família de classe média em Belo Horizonte. Minha filha tinha uns 11 anos e meu rapaz uns 7 quando minha mãe foi diagnosticada com Alzheimer. Eu já tinha convivido com meu sogro tendo a mesma doença e agora ela estava ali, ainda mais pertinho de mim. A mulher que … Continuar lendo Eu cuido, tu cuidas e ela cuida
Os bebês de (Rosemary?) Solange
Na reta final do remake de Vale Tudo, há duas grávidas. Uma delas, nossa esquerdista resistência favorita, a chérie Solange Duprat espera gêmeos do esquerdomacho Afonso Roitman. Para além das absolutamente inoportunas publicidades (os “merchans”) da personagem – promovendo sabão em pó depois de saber que o cunhado dado como morto está vivo etc. -, quero falar aqui do modo como a trama construiu essa … Continuar lendo Os bebês de (Rosemary?) Solange
Todo mundo sabe, ninguém fala
Eu estava na biblioteca, era dia de organização nova das seções. Quando fui apontar para um livro na prateleira, senti alguém chegar por trás, me encoxando. Fiquei paralisada. Saí. Tudo aconteceu muito rápido, sem que houvesse tempo para entender ou reagir. Tinham pessoas por perto, mas todos ficaram confusos com aquele movimento estranho. Numa fração de segundos ocorreu um toque – indesejado, sem consentimento – … Continuar lendo Todo mundo sabe, ninguém fala
Em busca de Maria Schneider
Rever Último tango em Paris depois de mais de duas décadas teve um sabor amargo. O filme continua lá, mas mudou. E eu mudei. Agora, pude perceber com mais clareza como o longa de Bernardo Bertolucci, de 1972, se estrutura de fato como uma dança. A alusão do título não é apenas à sequência final, mas também à estrutura poética da obra, com movimentos de … Continuar lendo Em busca de Maria Schneider
Identidades digitais, gênero e performatividade no filme “Haru”
A cultura nos ajuda a compreender um pouco sobre como as identidades e a performatividade de gênero se constroem e se manifestam em espaços online, como em Haru. O filme é um romance feito no Japão, em 1996, por Yoshimitsu Morita, diretor e roteirista. Vencedor dos prêmio de Melhor Atriz (Eri Fukatsu) e Melhor Roteiro no 18º Festival de Cinema de Yokohama (1997), conta a … Continuar lendo Identidades digitais, gênero e performatividade no filme “Haru”
A retórica do ódio como projeto político
O caso Salabert vs. Ferreira e os limites da liberdade de expressão no Brasil A recente deliberação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a condenação do deputado federal Nikolas Ferreira por danos morais contra a deputada Duda Salabert, no dia tal, suscita uma análise aprofundada sobre a relação entre identidade de gênero, discurso de ódio e os contornos da liberdade de expressão no … Continuar lendo A retórica do ódio como projeto político
Gênero e HQ’s: Invincible como analogia ao patriarcado
Invincible, da Amazon Prime Video, é uma animação no estilo dos clássicos super-heróis, inclusive a obra é baseada nos quadrinhos de mesmo nome. Acompanhamos a história de Mark Grayson, sua mãe (Debbie) e seu pai (Nolan), durante a adolescência de Mark, quando ele começa a manifestar seus poderes, advindos da genética “alienígena” do pai. Quando pensamos para além dos personagens principais da trama, podemos encontrar … Continuar lendo Gênero e HQ’s: Invincible como analogia ao patriarcado
Quem pode falar de crime ambiental em Mariana?
Em Mariana, a história se repete como farsa. Passear pela cidade é respirar a grandiosidade de um passado barroco, com suas igrejas folheadas a ouro e suas ladeiras que contam histórias de arte, fé e, principalmente, de exploração. Hoje, um novo brilho se mistura ao dourado das igrejas: o brilho acetinado das placas de patrocínio. “Esta obra de restauro foi um presente da Vale”. “A … Continuar lendo Quem pode falar de crime ambiental em Mariana?
Entre o anjo e o monstro: a cobertura midiática e o jornalismo de sensações no caso Isabella Nardoni
O assassinato de Isabella Ana Carolina Cunha de Oliveira e Alexandre Alves Nardoni namoraram durante a adolescência e, aos 17 anos, ela engravidou. O relacionamento não era aprovado pelos pais dela e Alexandre não ficou muito feliz com a notícia da gravidez, pois estava tentando entrar para a faculdade de Direito. Os dois se separaram dois meses antes de Isabella de Oliveira Nardoni nascer. A … Continuar lendo Entre o anjo e o monstro: a cobertura midiática e o jornalismo de sensações no caso Isabella Nardoni
