Violência como rotina
Era 2010, quando as imagens de pessoas armadas correndo por uma rua de chão batido em meio à floresta foram exibidas repetidas vezes no RJTV – jornal televisivo diário do Rio de Janeiro, eu tinha sete anos e lembro de crescer amedrontada pelo fantasma do crime que passava na televisão. Nascida na capital e moradora da baixada fluminense, sempre frequentei a cidade. Me lembro da … Continuar lendo Violência como rotina
Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song
Quando somos jovens podemos ter entendimentos diversos do que é o amor. Será que é aquela sensação de borbulhar o estômago? Ou aquela de nos deixar tontas; de paixão, de fúria ou de quase querer engolir o outro para si? Ele pode ser ainda a impressão do outro em nosso corpo, que transborda, mergulha. No final das contas, as sensações que o amor desperta são … Continuar lendo Encaixes e desencaixes do amor no cinema de Celine Song
Vale tudo?
Como novela e mineração revelam a lógica implacável do capital Escrita originalmente por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Vale Tudo teve sua primeira estreia na TV Globo em 16 de maio de 1988. Conhecida por surgir em um contexto transformador do país, a telenovela acompanhou parte do processo de redemocratização após o golpe militar, que instaurou uma ditadura entre 1964 e 1985, e … Continuar lendo Vale tudo?
“Jem e as hologramas” andaram para as “Guerreiras do K-Pop” correrem
Ia o final da década de 1980 e eu, como várias garotas, assistíamos a Jem e as Hologramas na TV aberta. Para mim, sempre foi um desenho revolucionário, porque não havia lutas e músculos masculinos em display. Tudo era embalado por música pop e as personagens femininas trocavam de roupa (e que figurino! – descobri, adulta, que os looks eram inspirados na alta costura da … Continuar lendo “Jem e as hologramas” andaram para as “Guerreiras do K-Pop” correrem
Quando uma menina é assassinada, o que a imprensa escolhe contar?
Essa pesquisa começou a partir de um questionamento da professora Karina Gomes Barbosa (UFOP), que já investigava temas relacionados a gênero, infância e violência, com foco principalmente nas coberturas jornalísticas de crimes contra mulheres. Em um dado momento, Karina deslocou seu olhar para a cobertura de infantofeminicídios, refletindo sobre como a mídia aborda, ou silencia, esse tipo de violência. Dessa inquietação resultou o artigo “De … Continuar lendo Quando uma menina é assassinada, o que a imprensa escolhe contar?
Eu cuido, tu cuidas e ela cuida
Eu cuidei da minha mãe e do meu pai por 10 anos. Nasci em 1963, numa família de classe média em Belo Horizonte. Minha filha tinha uns 11 anos e meu rapaz uns 7 quando minha mãe foi diagnosticada com Alzheimer. Eu já tinha convivido com meu sogro tendo a mesma doença e agora ela estava ali, ainda mais pertinho de mim. A mulher que … Continuar lendo Eu cuido, tu cuidas e ela cuida
Os bebês de (Rosemary?) Solange
Na reta final do remake de Vale Tudo, há duas grávidas. Uma delas, nossa esquerdista resistência favorita, a chérie Solange Duprat espera gêmeos do esquerdomacho Afonso Roitman. Para além das absolutamente inoportunas publicidades (os “merchans”) da personagem – promovendo sabão em pó depois de saber que o cunhado dado como morto está vivo etc. -, quero falar aqui do modo como a trama construiu essa … Continuar lendo Os bebês de (Rosemary?) Solange
Todo mundo sabe, ninguém fala
Eu estava na biblioteca, era dia de organização nova das seções. Quando fui apontar para um livro na prateleira, senti alguém chegar por trás, me encoxando. Fiquei paralisada. Saí. Tudo aconteceu muito rápido, sem que houvesse tempo para entender ou reagir. Tinham pessoas por perto, mas todos ficaram confusos com aquele movimento estranho. Numa fração de segundos ocorreu um toque – indesejado, sem consentimento – … Continuar lendo Todo mundo sabe, ninguém fala
Em busca de Maria Schneider
Rever Último tango em Paris depois de mais de duas décadas teve um sabor amargo. O filme continua lá, mas mudou. E eu mudei. Agora, pude perceber com mais clareza como o longa de Bernardo Bertolucci, de 1972, se estrutura de fato como uma dança. A alusão do título não é apenas à sequência final, mas também à estrutura poética da obra, com movimentos de … Continuar lendo Em busca de Maria Schneider
Identidades digitais, gênero e performatividade no filme “Haru”
A cultura nos ajuda a compreender um pouco sobre como as identidades e a performatividade de gênero se constroem e se manifestam em espaços online, como em Haru. O filme é um romance feito no Japão, em 1996, por Yoshimitsu Morita, diretor e roteirista. Vencedor dos prêmio de Melhor Atriz (Eri Fukatsu) e Melhor Roteiro no 18º Festival de Cinema de Yokohama (1997), conta a … Continuar lendo Identidades digitais, gênero e performatividade no filme “Haru”
