
Na quarta-feira (15), o projeto Ariadnes, em parceria com o coletivo Andorinhas, rede de mulheres da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que olha para as assimetrias de gênero e parentalidade na universidade, realizou a oficina “Chegar à universidade: aprender a praticar relações de gênero saudáveis”. A oficina, que tem como eixo central a discussão sobre masculinidades e a necessidade de envolver homens no enfrentamento à violência de gênero, foi promovida como ação de continuidade ao mês da mulher, no campus Morro do Cruzeiro da UFOP.
Pensada, inicialmente, para o público masculino, a dinâmica se articulou a um debate mais amplo, e já recorrente em outras discussões no Ariadnes: a baixa participação e a falta de interesse dos homens em atividades e projetos de gênero. A predominância de mulheres nesses espaços, observado também na oficina, é compreendida como um dos desafios do projeto, que vem buscando estratégias para ampliar o engajamento e reforçar que esse embate é uma responsabilidade compartilhada.
A atividade apostou em uma metodologia participativa, e durante o encontro perguntas orientadoras foram distribuídas. A ideia era estimular um exercício de reflexão individual e coletiva, a partir das discussões, sobre o papel de cada um na luta contra as violências de gênero e sobre as possibilidades de atuação no cotidiano. Ao mesmo tempo, a dinâmica abriu espaço para escuta, desconforto e elaboração conjunta sobre as relações de gênero no ambiente universitário.
Partindo das perguntas mobilizadoras, relatos de comentários, constrangimentos em rodas de conversa e espaços públicos e episódios de “assédios velados”, evidenciaram como a violência de gênero se manifesta de forma sutil, naturalizada e que atravessa as relações de hierarquia que, em contextos familiares, acadêmico e das repúblicas estudantis de Ouro Preto, podem dificultar denúncias e reações.
Apesar da densidade dos fatos, a oficina teve tom de acolhimento e reafirmou a importância de espaços como o Ariadnes e o Andorinhas dentro da universidade. Também elencou todos os projetos da UFOP que tratam do assunto e podem ser procurados em casos de necessidade, como a Ouvidoria Feminina, o Ciclo Saudável, o Papear, Ouvir e Conscientizar (POC) , o Maternidade e Universidade (ManU), Flor de Anahí e o Projeto Âmbar.
Por Eduarda Belchior
