Oficina do Ariadnes discute relações de gênero saudáveis na universidade

Grupo de 17 pessoas posando para foto em uma sala de aula. Ao fundo, há um projetor exibindo um slide com o título “Chegar à universidade: relações de gênero saudáveis”. As pessoas estão organizadas em duas fileiras, sorrindo, com roupas casuais. A sala tem quadro branco, mesas, cadeiras e iluminação fluorescente no teto.
Um dos pilares do projeto Ariadnes é propor oficinas para a discussão de violências de gênero no ambiente universitário. Foto: Letícia Gabrielli/Ariadnes

Na quarta-feira (15), o projeto Ariadnes, em parceria com o coletivo Andorinhas, rede de mulheres da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que olha para as assimetrias de gênero e parentalidade na universidade, realizou a oficina “Chegar à universidade: aprender a praticar relações de gênero saudáveis”. A oficina, que tem como eixo central a discussão sobre masculinidades e a necessidade de envolver homens no enfrentamento à violência de gênero, foi promovida como ação de continuidade ao mês da mulher, no campus Morro do Cruzeiro da UFOP.

Pensada, inicialmente, para o público masculino, a dinâmica se articulou a um debate mais amplo, e já recorrente em outras discussões no Ariadnes: a baixa participação e a falta de interesse dos homens em atividades e projetos de gênero. A predominância de mulheres nesses espaços, observado também na oficina, é compreendida como um dos desafios do projeto, que vem buscando estratégias para ampliar o engajamento e reforçar que esse embate é uma responsabilidade compartilhada.

A atividade apostou em uma metodologia participativa, e durante o encontro perguntas orientadoras foram distribuídas. A ideia era estimular um exercício de reflexão individual e coletiva, a partir das discussões, sobre o papel de cada um na luta contra as violências de gênero e sobre as possibilidades de atuação no cotidiano. Ao mesmo tempo, a dinâmica abriu espaço para escuta, desconforto e elaboração conjunta sobre as relações de gênero no ambiente universitário.

Partindo das perguntas mobilizadoras, relatos de comentários, constrangimentos em rodas de conversa e espaços públicos e episódios de “assédios velados”, evidenciaram como a violência de gênero se manifesta de forma sutil, naturalizada e que atravessa as relações de hierarquia que, em contextos familiares, acadêmico e das repúblicas estudantis de Ouro Preto, podem dificultar denúncias e reações. 

Apesar da densidade dos fatos, a oficina teve tom de acolhimento e reafirmou a importância de espaços como o Ariadnes e o Andorinhas dentro da universidade. Também elencou todos os projetos da UFOP que tratam do assunto e podem ser procurados em casos de necessidade, como a Ouvidoria Feminina, o Ciclo Saudável, o Papear, Ouvir e Conscientizar (POC) , o Maternidade e Universidade (ManU), Flor de Anahí e o Projeto Âmbar. 

Por Eduarda Belchior

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