Projeto Ariadnes realiza oficina sobre dinâmicas de gênero e sexualidade nas universidades

Entre os dias 06 e 10 de abril, o Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) promoveu a Semana de Integração do semestre de 2026.1. Organizada pelo Programa de Educação Tutorial Conexão de Saberes (PET-ICSA), a programação contou com a oficina “Chegar à Universidade: Aprender a Praticar Relações de Gênero Saudáveis” na tarde da terça-feira (07/04), às 17h. Realizada há quatro semestres, nesta edição a atividade realizou um convite direcionado especialmente ao público masculino.

Integrantes do Ariadnes junto com a professora Virgínia Carrara após a oficina. Foto: Vinícius Paes.

A oficina

A ação ocorreu no auditório do ICSA, organizada pelo projeto de incentivo à diversidade e convivência Ariadnes, em parceria com o coletivo Andorinhas, e ministrado pela orientadora do projeto, Karina Gomes Barbosa. Com a presença da comunidade acadêmica e os integrantes do Ariadnes, além da professora de Serviço Social Virgínia Carrara, do Andorinhas, a proposta teve como foco o contato de novos alunos e estudantes veteranos com o projeto, além de discussões ao redor de problemáticas caracterizadas como abuso de gênero dentro do espaço universitário. A chamada especial aos homens buscou tê-los no centro do debate e refletir sobre o importante papel que representam no combate contra a violência de gênero.

O início da atividade se deu com a apresentação do projeto, o papel dele dentro da universidade e as ações que realizamos. A oficina contou com perguntas direcionadas ao público, buscando questionar e desenvolver exemplos de situações de violência no ambiente universitário, além de incluir os espaços fora da universidade, como o campo profissional, as repúblicas estudantis, festas e as vivências cotidianas.

A intenção da dinâmica foi esclarecer o que caracteriza uma violência e a forma como elas estão presentes na vida estudantil, assim como as relações de gênero, sexualidade e poder que existem dentro e fora do espaço universitário. Além disso, a partir da atividade, buscamos abrir um ambiente de escuta e acolhimento para as mulheres que já passaram por cenários semelhantes, também levando os homens presentes a questionarem seu papel no combate a essas violências e aos discursos de ódio. 

Ao fim da ação, o público presente recebeu um marca página personalizado com boas práticas de enfrentamento à violência de gênero nas universidades. A iniciativa contou com o apoio da Copiadora e Papelaria Realce e trouxe dez condutas de luta e conscientização que fazem parte do dia a dia da comunidade acadêmica. Dessa forma, os estudantes poderão carregar consigo ações que eles podem e devem realizar no cotidiano.

E por que a chamada aos homens?

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio no ano de 2025, maior número desde que o crime passou a ser tipificado no Brasil. O mesmo panorama nos mostra que, dentre os casos com autoria conhecida, 97,3% foram cometidos por homens. O aumento da violência contra a mulher nos leva a refletir sobre o papel das masculinidades nesse cenário e a importância de trabalhar com os homens para prevenir o abuso de gênero. 

Para além dos episódios, temos observado o crescimento de discursos de ódio contra as mulheres nas mídias sociais e a cultura de agressividade que vem sendo exposta nas plataformas digitais e nas interações. O aumento do conservadorismo e, consequentemente, da misoginia, vem normalizando atitudes agressivas e antiéticas.

Por isso, é necessário o trabalho direto na formação de homens e meninos para prevenir tais violências e desconstruir as subjetividades masculinas hegemônicas. Assim, buscamos trabalhar em conjunto para produzir outras masculinidades menos violentas, sexistas e machistas, nos envolvendo nos processos de aprendizado desses indivíduos.

Escuta e enfrentamento

O Ariadnes é um observatório de mídia, gênero e sexualidade que atua como projeto de extensão e incentivo à diversidade e extensão da UFOP. Nele, realizamos estudos de formação, escutas testemunhais, críticas de mídia e reportagens. Nosso espaço também discute violências sofridas dentro das universidades e a forma como esses abusos são atravessados por interseccionalidades, como gênero, classe, raça e sexualidade.

Buscamos construir um ambiente seguro para conversar sobre atos violentos contra a mulher no espaço da academia, trabalhando em conjunto para que todos tenham uma ótima experiência na universidade. O projeto se coloca à disposição para auxiliar em qualquer tipo de violência sofrida, oferecendo suporte, acolhendo e respeitando as vítimas.

Por Letícia Gabrielli


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