Projeto Ariadnes promove oficina de cobertura ética e responsável de casos de lesbocídios 

Oficina ofertada no dia 09/04, por Maria Clara Soares, integrante do Ariadnes. Foto: Ana Beatriz Justino/Ariadnes

No dia 09 de abril, às 17h, o Projeto Ariadnes deu continuidade às atividades de formação para jornalistas locais e estudantes de jornalismo iniciadas em 2025 com a oficina: “Como noticiar casos de lesbocídios? Reflexões sobre uma cobertura ética e responsável”, ministrada por Maria Clara Soares, integrante do Ariadnes e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFOP. Voltada à comunidade jornalística da Região dos Inconfidentes, a iniciativa busca desenvolver tópicos e sugestões para uma cobertura ética e responsável de casos de lesbocídios.

Diante de um cenário de violências e a partir da ausência de formações específicas no curso e na região, a oficina trouxe casos específicos em que a cobertura jornalística culpabilizou as vítimas ou descredibilizou os testemunhos. Os episódios foram analisados individualmente com o objetivo de capacitar os(as) profissionais a incorporar uma perspectiva de gênero e sexualidade em suas práticas. Além deles, a oficina também apresentou procedimentos e possibilidades de cobertura.

No curso, o termo lesbocídio foi apresentado como a morte de mulheres lésbicas por motivos de lesbofobia, ou seja, pelo ódio, repulsa ou discriminação contra a existência lésbica, como descrito pelo Dossiê sobre Lesbocídio, de 2018. A partir da definição concreta da violência, a oficina trabalha como os lesbocídios, mesmo em coberturas rápidas e urgentes, podem ser noticiados com rigor ético e sem apagar a identidade das vítimas. 

Maria Clara destaca, durante a formação, que o lesbocídio não é tipificado isoladamente na lei brasileira e, na maioria dos casos, é enquadrado como crime de feminicídio. Diante disso, ela enfatiza a importância de uma abordagem jornalística responsável, capaz de contextualizar corretamente os crimes, além de reforçar o compromisso da notícia com a responsabilidade social.

Por Nicolle Soares

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